
Encaixada entre a Serra da Bocaina e o Oceano Atlântico, Paraty é uma das cidades costeiras mais bem preservadas do Brasil. São quatro áreas naturais protegidas de Mata Atlântica no município — um dos cinco principais focos de biodiversidade do mundo — e um centro histórico que atravessou três séculos praticamente intacto. Essa soma rara de patrimônio e natureza rendeu à cidade o título de Patrimônio Mundial da Unesco na categoria sítio misto, concedida a pouquíssimos lugares do planeta.
O centro histórico e o Caminho do Ouro
No fim do século XVII, Paraty era o ponto final do Caminho do Ouro — a rota que levava o metal de Minas Gerais até o porto de onde seguia para a Europa, e por onde também entravam ferramentas e africanos escravizados enviados às minas. O traçado urbano do século XVIII sobreviveu quase inteiro, assim como boa parte da arquitetura colonial, erguida entre o século XVIII e o início do XIX.
É um centro para percorrer a pé e sem pressa: as ruas de pedra irregular não combinam com pressa nem com calçado ruim.
As 50 praias da baía
A baía de Paraty reúne 50 praias. Algumas têm acesso por carro; muitas outras, só de barco — e são justamente essas que guardam a natureza em estado quase selvagem e a cultura caiçara viva, com artesanato, culinária e modos tradicionais de subsistência.
Em terra firme, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, onde fica a Vila da Trindade, e a Reserva da Joatinga concentram as trilhas e a Mata Atlântica mais preservada da região. É lá que vivem espécies como a onça-pintada, o queixada e vários primatas, entre eles o macaco-aranha.
Cidade criativa da gastronomia
Em outubro de 2017, Paraty entrou para a Rede de Cidades Criativas da Unesco na categoria gastronomia. A cachaça é o produto mais conhecido: no auge da prosperidade da cidade, no século XIX, foram mais de 150 alambiques em funcionamento.
O prato mais característico é a farofa de feijão, comida dos tropeiros que cruzavam o Caminho do Ouro e até hoje presença certa no almoço da Festa do Divino, reconhecida como Patrimônio Cultural Nacional. O que se come em Paraty é resultado de séculos de mistura entre influências indígenas, portuguesas e africanas.
Quanto tempo reservar
Vale mais de um dia. O centro histórico e as praias de acesso por terra ocupam bem uma jornada; as praias de barco e as trilhas do parque pedem outra. Como boa parte dos passeios depende de embarcação, o mar acaba mandando no roteiro — é sempre bom ter um plano alternativo em terra para o dia em que ele não colaborar.


